O que eu não quero ver, por não saber pra onde ir
Durante a semana fiquei pensando na história com a Cathê. Fiquei lembrando, magoada, das vezes que a rigidez religiosa dela me soou como um julgamento. Lembrando de episódios como uma vez que cheguei pra falar que tinha ido pra missa com Pedro e ela, sabendo que eu era messiânica, respondeu: "Que coisa boa, quem sabe tu fica só com a gente...". Dando a entender que eu deveria largar a messiânica e ficar indo somente na igreja católica. Comentários como esse me partiam o coração, me soava como um julgamento desnecessário. Após comentar sobre isso na terapia, fiquei refletindo: mas de que forma eu vejo isso? Por qual motivo, até hoje, lembro desses episódios com essa indignação silenciada?
Depois de pensar um pouco, me veio: acho que eu não tolero conceber que ela me via como alguém que estava fazendo algo errado. Acho que eu não tolero errar. Naquele momento que ela comentou que eu deveria frequentar a católica e somente ela, é como se uma parte de mim quisesse obedecer, pra agradar, pra ser mais "certa" no olhar dela. Ainda que eu considere o olhar em si plenamente errado.
No fundo também mora em mim uma certa arrogância. Eu acredito que não devemos julgar e que todas as pessoas deveriam ser livres e respeitadas nas suas escolhas (e me seguro na arrogância de me achar muito certa nesse sentido - e em outros, mas calma que vamos já expor algumas boas hipocrisias nesse sentido).
O problema é que me falta a coisa da "leveza". Você poderia pensar: beleza, então ela consegue não julgar... a própria dona e proprietária da leveza. No entanto, é bem o oposto. Ao julgar todos que julgam, de alguma forma, talvez eu acabe julgando até mais do que eles - no entanto, ainda me segurando no meu pedestal de estar "julgando certo". No meu mundo perfeccionista de certos e errados, é óbvio afirmar que até pra julgar tem que ser do jeito certo...
Ao refletir sobre o que me incomoda no Marcos me vem a coisa da não conformidade com erros. Eu espero de mim e dos outros perfeição e exemplo. Se a pessoa erra tentando acertar, ok. Mas e quando a pessoa nem quer acertar? Aí eu enlouqueço. Me parece um completo absurdo, uma atrocidade. Ver o Marcos conformado com a casa suja, sem se dedicar pra melhorar a casa, bebendo, entrando numa rotina que pra ele "tá ótima" e eu olhando de fora e completamente indignada: COMO ISSO AQUI ESTÁ BOM PRA VOCÊ? Eu não consigo nem entender. Não consigo entender ele ter problema com sono e insistir no álcool e no café, me sinto indignada de pagar as contas e pensar que eu "autorizo" que ele não se adeque... Não consigo entender a pessoa não mirar num ideal. Não consigo entender quem não tem ganância, não consigo entender quem faz pouco, não consigo entender quem quer pouco em NENHUM SENTIDO. Até consigo entender quem executa com estratégia e um pouco mais de calma - mas PRECISA ESTAR QUERENDO O MUITO.
Eu me sinto muito sozinha querendo esse muito. Tendo que me conformar com a conformidade das pessoas e odiando cada minuto da vida nesse formato. Cogito ficar sozinha (talvez eu já esteja bem sozinha, inclusive). E sinceramente: talvez eu esteja sozinha demais, mas talvez eu não esteja sozinha o suficiente. Me faz mal de verdade ver pessoas que querem pouco ou que querem aquilo com o qual eu não concordo. Tentei ter uma sócia - tive que sair arrastando ela. A sensação é essa: eu tenho que arrastar. Sozinho parece que ninguém vai... que o povo só fica onde está e entrega pra Deus.
Mas aí eu fico nessa de querer tudo; e não querer ficar só; e não querer querer menos; e também não querer ser quem faz tudo enquanto arrasta todos que não fazem nada só pra não ficar só. E é terrível pensar que essa última opção talvez seja a menos pior e que eu precise, de alguma forma, criar um ritmo que me permita viver isso... É pra esse canto que eu vou? Ou ainda não sei pra onde ir?
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