Sem asas ઈĭઉ
Eu me sinto presa! Não no sentido de não poder ir e vir, muito menos no sentido de não poder fazer coisas. Mas em referência à falta de possibilidades. O mundo têm cortado as minhas asas. A pandemia me parou das possibilidades de viajar, as aulas me param a possibilidade de gerenciar melhor a clínica e as burocracias me cortam a possibilidade de estudar. Vejo-me com frequência trocando a leitura de um capítulo por uma tarde organizando papéis (que nem são exatamente meus) e, nesse passo a passo, as demandas vão me atropelando. Estou prontinha pra sair do casulo, mas altamente amarrada pelas circunstâncias e sem entender qual parte é casulo e quais são asas. Fico pensando que é hora de me despir, de deixar o casulo pra trás... Mas os infortúnios são mergulhados em bons momentos e aprendizados. Quanto mais eu olho, mais me parece que não há um sem o outro. Mais é confuso entender qual parte(s) eu quero levar e ainda preciso nesse crescimento. As supervisões são casulo ou asas? As aulas são casulos ou asas? O número de pacientes é casulo ou é asa? Talvez a questão seja dosar, mas como dosar algo que não sou eu quem sirvo? Parece que preciso estar muito atenta para o rapaz não "encher demais o copo". Depois que ele está cheio é mais difícil "estragar comida".
Ai ai. "Respire fundo, menina!", algo sussurra em mim. Hoje só faltam três horas. Só restam cinco minutos pra finalizar esse texto. E amanhã tem todo um dia pela frente que já se inicia com uma demanda cumprida somente pela metade. E eu sigo "correndo", esperando estar abrindo o casulo ao invés de me enjaulando nas cascas.
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