Não, eu não posso pedir ajuda.
Que loucos são vocês?
Há críticas: “É muito auto-suficiente, não quer saber de ninguém”. Até certo ponto, eu entendo que possa parecer assim, mas me debruço no conforto de saber que não é a realidade. Durante a vida inteira foi essa inconsistência.
“Precise da gente”
“Mas, por favor, não precise”
De um lado, as queixas fundadas de estar sobrecarregada de mamãe. Do outro, a impaciência eterna de ser incomodado do papai. E no meio ou ali por perto: eu. Não acho que eu pudesse (quando pequena) mudar a realidade da mamãe, e quando me vi adulta não acho que eu quis. Não fui eu quem escolheu essas cruzes, de algum modo, não me pareceu justo eu carregar. Até porque eu as carregaria de um modo muito diferente. E creio que nada mais justo: afinal, eu sou outra pessoa.
Papai sempre foi assim. Desse jeitinho dele de ser. Sobrecarregado com as próprias e eternas preocupações e tendo dificuldades de ver além. Se queixa de não receber, mas não tem tempo, energia e condições de dar nada. Quando dá, se queixa… E sempre me pareceu estranho ficar grata por algo que vem de modo tão suado de seu doador.
Aprendi ou entendi em algum momento que era melhor eu não dar trabalho. Assim, não aumentaria o fardo da mamãe e não ativaria a irritação do papai. Faz sentido que esse meu jeito passe a mensagem de que eu não preciso de ninguém pra nada? Faz. Mas não é isso que ele quer dizer. Ele quer dizer que a disposição em ajudar é falha. A ajuda eu sempre quis. E eu quero. Mas vim de um lugar no qual isso não vem doado. O custo da ajuda é alto demais. E eu nunca estive e ainda não estou disposta a pagar.
Construí minha vida buscando crescer pra ser quem ajuda. Eu quero ser tão forte e ir tão alto… pra poder ser quem ajuda. Quero poder dar o dinheiro, dar a casa confortável, dar os jantares, dar o conforto, dar as viagens e dar todas as ajudas quanto mais for preciso. Mas pra isso, eu preciso chegar no alto antes. No momento que eu estou, já uso todas as forças pra fazer por mim. Mas lá do alto eu poderei fazer mais.
“Ué, e tudo que você está perdendo daqui? Será que não era melhor só doar seu tempo?”
Meu tempo nunca resolveu. Acho que eu acreditei que ele nunca vai resolver. Mas se solicitarem meu tempo, eu também darei. Só não vou ficar ofertando aquilo que ninguém procura.
Moral da história: eu não sei mesmo pedir ajuda. Mas de alguma maneira, me viro bem sozinha. Talvez fosse mais fácil pedir pra ir almoçar com alguém no sábado, mas ir pra casa e fazer minha comida tem dado certo. Quando eu puder oferecer a comida pra mais gente, peço companhia e ofereço a comida.
Se faz sentido, o tempo dirá.
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